quarta-feira, abril 22, 2020

#NãoEstamosTodosJuntos


Vivemos um tempo de mudança (alguns esperam que seja profunda) da sociedade e das relações humanas.
A natureza, mais uma vez está a mostrar à nossa espécie que somos apenas mais um dos habitantes deste planeta.


Vivemos num tempo, como muitos outros que a humanidade já presenciou, que irá colocar em questão a direção da evolução da humanidade.

Lê-se em muitos "slogans" motivacionais que "estamos juntos", que vamos vencer juntos. Mas não estamos todos juntos, existem muitas diferenças criadas pela direção de evolução da humanidade do último século.

Tal como as folhas de uma árvore, que estão todas juntas numa árvore, não estão todas juntas, umas estão em ramos mais protegidos do vento, outras em ramos com mais exposição à luz do sol, outras mais perto do tronco. Todas estão em situações diferentes, e sujeitas a condições diferentes, com preocupações diferentes.

Para os que estão em casa, com algum conforto e comodidade, o tempo agora, parece ter mais tempo. Para outros, que lidam até ao seus limites com situações de sobrevivência, o tempo desaparece num abrir e fechar de olhos. Para outros ainda, o tempo para, sem fim.

É tempo para uns de ter tempo, para reflectir, para pensar, para repensar a vida. Para outros, este tempo é de desespero, de não ver como conseguir resolver as suas necessidades mais básicas de sobrevivência a tempo.

Para uns há tempo para dar atenção aos mais próximos, de ligar e conversar com os mais distantes. Para outros é tempo de ficarem longe dos de quem mais amam, de ter de lidar com o desespero de desconhecidos.

É tempo das crianças não poderem mais brincar na rua, é tempo lhes dizer que ficar fechado em casa é a coisa certa a fazer. Umas tem meios para se distrairem com jogos electrónicos, livros, filmes, e interagem num mundo virtual com os seus amigos reais. Outras crianças tem que continuar a se distrair com os jogos da imaginação, na solidão do seu espaço, interagindo com os seus amigos virtuais, bem reais no seu imaginário.

É tempo de não olhar muito para o futuro, porque do futuro pouca luz nos chega.
Representa para uns uma oportunidade de se reorganizarem, e de se preparar para a incerteza; para outros representa um crescer de ansiedade e desespero, por não saber com o lidar com a incerteza de como resolver o presente problema entre mãos.

Dizer por isso que estamos todos juntos, é falso, estamos em grupos, idealizados e criados pela nossa sociedade.
A sociedade necessita de mudar, de evoluir, mas é preciso que a direção da evolução não aumente o distanciamento entre estes grupos.

É tempo de (re)aprender a viver no presente, dar inicio a um rumo diferente a uma sociedade construída em torno da ânsia do que haverá e possuirá no futuro.

A árvore irá continuar a viver por muitos anos, a sua direção e evolução de crescimento, definirá a forma como as folhas se alimentarão e viverão.