terça-feira, maio 06, 2008

Myakuji Temple - Kendo Dojo


É nome do templo onde se encontra inserido o Dojo liderado pelo Sensei Shimizu. Depois do "meu amigo" ter perguntado ao Sensei se o Gaijin poderia praticar e da aprovação deste, indicou-me o livro de presenças, e o caminho para o vestuário. O Dojo, realmente um Dojo, é pequeno; nas traseiras uma segunda divisória onde se troca de roupa e com espaço para tomar um duche. Dão-me indicações para aquecer, e quando pronto, ir praticar. Faço tudo isso bem rápido, para não perder tempo. O meu amigo, avisa que tem que se ir embora e despede-se.
Entro na Sala, estão a praticar cerca de 10 pessoas, um deles em nito, outros dois bem fortes (pelo menos em tamanho) e claro o Sensei ao centro. Veem praticar comigo, um a um ... e por fim tenho oportunidade de praticar com o Sensei. Já valeu a viagem ao Japão, mesmo que não tenha oportunidade de voltar a praticar...
Consegui regressar mais duas vezes a este Dojo. Na segunda, um Sábado, estava cheio, mais de 20 praticantes, todo praticando (À vez, claro), mas com uma harmonia e respeito de espaço, que dificilmente se consegue repetir num Dojo em Portugal.
Deste Dojo fica em memória a hospitalidade japonesa, a pratica do Kendo (simples, direito e sempre correcto), a correcção de um dos antigos praticantes da sala, ki-ken-tai-ichi ... muito mal ... e a vontade de um dia lá regressar.

domingo, maio 04, 2008

Kyoto - simplicidade da beleza

Parti de Coimbra às 02h00 da manhã, deixando para trás a Carmen e Maria, as aulas, a prática, a vida ... para ir de encontro ao Mestre Stobbaerts a Kyoto, uma cidade muito especial.
A viagem é o preço a pagar por poder usufruir de um local e experiência tão rica, como foi esta última (e espero não a última) visita a Kyoto e à cultura Japonesa ligada ao Budo.
Chegando a Kanzai, o aeroporto internacional de Osaka, toma-se o primeiro contacto com a "educação" nipónica. O caminho para kyoto é longo e rodeado pelas montanhas verdes e cidades com "clubes de golfe".
Chegando a Kyoto, pela parte moderna, não se nota, nem se sente a sua beleza e amabilidade.
A primeira refeição, um almoço em grupo liderado pelo mestre Stobbaerts, é feita num café perto do templo onde será feita a cerimónia de inicio do butokusai. Aí, pela primeira vez o grupo de portugal está todo junto, é feito o primeiro brinde, e sentimos pela primeira vez a diferença de cultura. Muito dificilmente no mundo ocidental, individualista, alguém num café se muda de mesa para que um grupo possa ficar todo junto ...

Depois foi o passeio até ao templo, passagem pelo Budo Center (butokuden), e pelas lojinhas de produtos de budo e artesanato. Ao fim da tarde, descobrimos a "tasca do Porco" ... eu , Mariano e Ricardo. Uma tasca, em Portugal já teria sido encerrada pela ASAE, com cerveja e petiscos. Passaríamos a vir aqui por mais vezes...
No Hotel, Heian No Mori, onde dividia o quarto com o Mariano e o Tino, usufruíamos de um quarto na parte "japonesa" que dificilmente tinha espaço para 3 pessoas ... mas onde conseguimos passar 9 dias sem qualquer problema e onde todos respeitaram o espaço comum.

A sexta feira já era preenchida por actividades da DNBK, o que implicou uma alvorada às 06h30. Na primeira refeição do dia, encontramos o Mestre já na sala do pequeno almoço improvisada, indicando-nos que a parte que quereriamos estaria mais à frente... o pequeno almoço japonês: arroz, peixe, miso, e outros ingredientes que não identifiquei...
um bom começo de dia ...
No Budo Center, moderno edificio, com um pavilhão central onde é possível ter 9x9 shiai-jo de Kendo, foi-nos atribuído o nosso canto (literalmente), e onde reencontramos os discursos e recomendações da voz de Hamada, Hanshi. Depois as tarefas do butokusai, ensaios de entradas e saídas, do local onde seria feita a demonstração, o histórico Butokuden. Um edificio que impressiona pela sua construção, e pelo peso da sua história e atmosfera. Quem pratica alguma arte de Budo, deve um dia visitar este local.
Na parte da tarde, algum tempo livre e ... descoberta (tardia) de mais uma loja, apenas de equipamento de kendo ... aproveitei para perguntar preços de kote, keiko-gi, hakama ... e no final, descobri que quem vende, é conhecedor da arte e pratica kendo, precisamente no Butokuden. Nada melhor, pedi horários, local e preços ... 200y, por aula, aulas todos os dias, excepto ao domingo e sempre ao fim da tarde. óptimo!!!
Nesse mesmo dia, depois de pedir para me escapar antes do jantar ao Mestre iria lá.
Cheguei a horas ... mas surpreendentemente encontro tudo escuro no butokuden, e também no edificio moderno ... pergunto na recepção pelo kendo ... mas com a dificuldade de entender o japonês e de eles falarem o inglês, só após alguns minutos entendo pelo cruzar de mãos .. que não irá haver kendo ... desilusão.
Aí surge um senhor de fato e gravata, com um saco de shinai, que me explica que não irá haver aulas até ao dia 07 de Maio, devido a um evento qualquer que esta a haver , um butokusai... e a recepcionista, acrescenta que é uma coisa de karaté. Tento então saber se há mais algum local onde possa ir praticar ... sim ... parece que sim ... um dojo perto de um templo ... a aula era a mesma hora. O sr, simpaticamente escreve-me o nome num papel, em letras romanas e em kanji ... depois de me dizer que sim, que poderia ainda ir nesse dia, mas que ele não poderia, por causa de uma reunião onde era moderador ... agarrou em mim, levou-me até ao táxi, e acompanhou-me ao tal dojo ... pelo caminho ele confirmou se eu teria alguma graduação de kendo, respondi... nidan ... e de seguida perguntei a dele ... rokudan ... pois.
Será que esta disponibilidade e amabilidade se encontra em mais algum contexto no mundo? seria bom que assim fosse.
(continua)