segunda-feira, junho 03, 2013

Sinceridade ...

sincero |é|
adj.
1. Que é verdadeiro e espontâneo.
2. Que exprime só o que sente e pensa.
3. Que traduz o que sente no coração.
4. Cordial.
5. Verdadeiro.
6. Leal.
7. Natural.


Sinceridade
s.f. Qualidade daquilo que é sincero; franqueza, lisura de caráter: a sinceridade é uma virtude preciosa. / Palavras, propósitos sinceros: perdoe a minha sinceridade.

Uma virtude ao que parece preterida, muitas vezes escondida, mesmo abafada. Será o medo de não ser "perdoado" por ter sido sincero, ou o medo de não agradar a todos? E porquê essa necessidade de agradar a todos?

Valerá a pena renunciar às nossas convicções para poder ser aceite num mundo das redes sociais, em que o que conta é o número de amigos, e não a qualidade dos amigos? Sobre as ideias dos outros somos, de base, impossibilitados de discordar neste novo mundo social; só podemos "gostar/curtir" ou ... abster-mo-nos e ficar de fora! Ser sincero fica à partida limitado ao que é "simpático", e não ao que é verdadeiro...

E desta forma transpõem-se as acções para o quotidiano, não dizemos que não a um compromisso, "curtimos" mas nunca renunciamos, não discordamos de uma ideia, abstemos-nos de comentar. Desta forma estamos numa sociedade que se comunica à superfície, em que o pensamento não interessa, mas o principal é estar curtindo/gostando.
Participar deixa de ser interessante já que podemos apenas aparecer e "marcar presença" sem estar presente.

Viver uma experiência passa a ser o passar por uma experiência fugazmente, mas sem esquecer de tirar uma foto, e partilhar para que todos possam "curtir".

Ensinar (ou tentar) uma actividade que só se aprende com o tempo, presença constante, perseverança, esforço, paciência e muita sinceridade torna-se frustrante.

Fala-se muitas vezes que a nova geração (as crianças) não são capazes de se focar ou gostar de uma actividade, que desistem muito rápido de tudo. Mas quem lhes ensina isso? Os "elementos activos" da sociedade actual, da geração actual, fazem diferente? Foi esta geração que criou a rede social virtual, a partilha rápida do que faz, sendo que é necessário fazer muita coisa e rapidamente, para poder estar sempre no auge da dita rede social. Será essa herança que deixaremos para a próxima geração.

O que será de artes como a música, a escrita, artes que dependem de tempo de dedicação sem que haja nenhuma "novidade"?
Tentar ensinar Aikido ,ou Kendo, numa sociedade de "rede social" é desesperante. Como exigir de alguém que esteja presente, que seja sincero no que diz, no que sente, se a sociedade o que solicita é o contrário. Como se pode compreender alguém que não é sincero, que se esconde por detrás de um sorriso constante, de um "estar feliz" superficial?

Ser sincero é uma virtude que temos que recuperar ... a começar por ser sincero consigo mesmo