quarta-feira, dezembro 23, 2009

A Natureza

Ouve-se falar frequentemente de pessoas que praticam actividades que dependem dos elementos da natureza (água, ar, sol, terra....) que apesar da necessidade de uma atenção constante, no final se sentem de certa forma aliviados, regenerados.
Isto não acontece quando a mesma intensidade de atenção é colocada em actividades que não tem a ligação ao nosso ambiente original, aquilo a que chamamos natureza.
De esta "atenção sem tensão" ouvimos falar frequentemente nas artes ditas marciais.
É alias, uma busca, nestas artes. No entanto, conseguimos muitas vezes facilmente alcançá-la quando nos inserimos num ambiente que nos chama os instintos e nos aguça os sentidos primários.
Faz para mim sentido procurar entender esta nossa (humana) capacidade. Conseguir caminhar no sentido do espiritual, mantendo esta ligação à Terra é o que mais me cativa nas Artes do Budo.
Pode-se explicar quimicamente, justificando a libertação de adrenalina e outras substancias durante a pratica de uma arte "de combate" a sensação de renovação que se sente no final.
Mas, e se se tentar ligar esta prática a elementos da natureza? Obrigando certamente o corpo a trabalhar muscularmente, mas obrigando também o corpo a recordar sentidos e sensações da sua ligação com a Terra (sejam elas a água, terra, o ar, o fogo). Não se conseguirá uma libertação maior do espírito e do corpo?
Será por isto que os antigos mestres de budo insistem em dar analogias com elementos da Natureza quando procuram explicar uma determinada acção?
Reflectindo um pouco sobre isto, fará sentido o medo sentido de perder estas Artes para o Desporto (em que apenas a mecânica crua interessa). Em que voltamos costas às nossas origens e tentamos e procuramos a atenção, tensa, em que os sentidos e sensações inatas são abandonadas em detrimento de construções artificiais (forma esta à qual acho chamamos stress).